Importância da Liderança no Contexto da Sustentabilidade das Organizações

Resumo

Este artigo apresenta a evolução social em relação à sustentabilidade e a importância da liderança no contexto empresarial, utilizando como ferramenta de disseminação comunicativa a gestão do conhecimento. Abordaremos alguns enfoques teóricos em matéria organizacional e relações globais para compreender a importância de uma cultura sustentável. Conceito que vincula a cultura e a sociedade, com o objetivo de mostrar qual abordagem contribui de forma integral para uma melhoria nas organizações. Por fim, enfatiza-se a importância do pensamento e do processo criativo para alcançar uma cultura ambiental e as propostas na evolução de uma ideia ecológica rumo a uma ética na organização.

Introdução

A maioria das organizações em nível mundial é indiferente às mudanças que ocasiona no meio ambiente. Outras se preocupam em minimizar o impacto que geram em seu entorno. É conveniente fazer a pergunta sobre por que existem essas lacunas de consciência ecoambiental e sustentável. Nos últimos anos, foram adotadas políticas sustentáveis. No entanto, hoje em dia não basta criar organizações amigáveis ao meio ambiente, comprometidas com a responsabilidade social, ou desenvolver produtos ecologicamente corretos. As organizações precisam direcionar seus recursos para a melhoria contínua do seu talento humano como eixos de mudança na sociedade e para que seus líderes promovam uma cultura organizacional sustentável. A sustentabilidade implica reconhecer que o ambiente, como sistema complexo, compreende elementos que interagem indissoluvelmente: o ser humano, a natureza e a cultura, os quais exigem integrar uma consciência ecológica, o fomento de comportamentos pró-ambientais e programas de ética para a sustentabilidade em qualquer área do conhecimento. Para isso, propõe-se o modelo de Hommoecosistema, que compreende os princípios de:

1. sustentabilidade

2. complementaridade-criativa

3. recursividade

4. sistemas complexos na formação ambiental de líderes dentro das organizações.

Por essa razão, enfatiza-se que a formação em educação ambiental é um eixo para a implementação de programas sustentáveis. Ao mesmo tempo, a insuficiência de educação em temas ambientais se apresenta como uma problemática de caráter global, atual e essencial. Somado ao que foi mencionado anteriormente, a liderança em sustentabilidade nas organizações surge como novos atores em matéria social, sustentável, política e ética. Seu desenvolvimento como grupos tem ganhado grande importância no âmbito das organizações, nos diversos times que as compõem.

Cabe questionar: como gerar uma cultura sustentável, duradoura e iterativa dentro das organizações? Diz respeito apenas às pessoas que tomam decisões na organização ou é necessário implementar uma gestão da mudança que considere imprescindível a sustentabilidade da organização e seu impacto no meio ambiente? E, por outro lado, como fazer para que essa decisão de sustentabilidade, como política corporativa, potencialize a posição competitiva nos mercados nacionais e talvez globais? Essas são perguntas importantes que devem ser respondidas.

A liderança sob a perspectiva da sustentabilidade

Ao falar de sustentabilidade, é preciso referir-se às três dimensões que a compõem: a social, a econômica e a ambiental. A ideia do século XIX do homem separado da natureza, em posição superior de dominação, fomentou o pensamento androcentrista que instaurou a visão instrumentalista e exclusiva do sistema urbano.

Mapa visual da Liderança

É por isso que, para tornar efetiva uma sustentabilidade socioambiental autêntica e eficaz, faz-se necessária a criação de uma nova cultura na organização, voltada à visão sustentável das decisões, na qual o talento humano possa, apesar da diversidade, ter presente a necessidade de desenvolver uma “consciência ecológica”, orientada aos objetivos da organização, mas sempre buscando minimizar os efeitos no entorno e as consequências globais que isso pode gerar.

Ou seja, realizar a gestão da mudança na organização, com o objetivo voltado à sustentabilidade, busca gerar consciência financeira, de modo que a proposta de KPIs gere valor, minimizando qualquer efeito sobre o entorno e sendo economicamente viável para a organização.

Minimizar os efeitos sobre o meio ambiente em busca da sustentabilidade não é simples, pois é necessária uma análise exaustiva de cada uma das variáveis envolvidas no processo.

Por isso, surge a necessidade de apresentar argumentos suficientes a favor da postulação de deveres/obrigações éticas intergeracionais em contexto civilizatório, para fundamentar a responsabilidade da geração atual na elaboração de uma ética global que atenda às demandas do futuro e propicie políticas de sustentabilidade de longo prazo nas organizações e em seus líderes.

Desenvolvimento organizacional por meio da gestão do conhecimento

Os princípios organizacionais baseados na ética sustentável são escassos: “muitas organizações parecem não atender a nada além do placar: o balanço de lucros. Ao proceder assim, tiram os olhos de suas relações com as pessoas”. Portanto, os administradores precisam encontrar equilíbrio nos fundamentos de sua gestão: comunicação, poder de decisão, flexibilidade, estrutura social e atividades profissionais, por meio da interdisciplinaridade departamental e do trabalho em equipe.

Ao propor e incentivar um direcionamento organizacional baseado na ética, os integrantes das organizações sentirão uma conexão imediata com a missão e a visão institucional, além de fortalecer as relações humanas dentro dela. Deixando de lado as barreiras laborais e organizacionais, para os líderes em sustentabilidade será mais fácil implementar um plano de desenvolvimento organizacional baseado em feedback e informação eficaz, no qual o talento humano seja capaz de reagir a mudanças externas nos mercados e economias em tempo hábil, buscando, assim, o benefício comunitário e a salvaguarda do patrimônio da organização. Desde que a estratégia de desenvolvimento organizacional crie valor e benefícios emocionais e tangíveis para os colaboradores; se eles não perceberem isso, não gerarão modificações significativas diante da mudança. A conceitualização da gestão do conhecimento (GC) é uma ferramenta organizacional que oferece a oportunidade de criar processos de inovação e estratégias para enfrentar a mudança e reestruturar a organização empresarial.

Princípios de sustentabilidade organizacional

Figura 1. Os 3 princípios da sustentabilidade.

Nessas premissas, incorporam-se os elementos mais importantes da sustentabilidade nas organizações.

1. Sustentabilidade, incluída na política e na missão da empresa.

2. Complementaridade-criatividade, que inclui saberes interdisciplinares, cooperação e participação de atores em geral, do talento humano e dos stakeholders da organização.

3. Hommoecosistema, como o sistema complexo integrado pela organização e pela natureza.

4. Recursividade, implica a renovação e a reestruturação contínuas sob a atuação do entorno para subsistir.

Para alcançar a liderança em sustentabilidade, é urgente desenvolver um conceito de economia para além de uma abordagem utilitarista, financeira e comercial. Mais ainda: sob esse enfoque, poderia discutir-se que, mesmo sendo estritamente racional e sabendo que as organizações são um conjunto de pessoas que buscam um objetivo benéfico comum e que sua base de produção nasce dos recursos naturais, que utilidade a sociedade e o ambiente estão percebendo em relação à produção da empresa?

Sob esse argumento, também se estaria questionando o modelo de negócio que rege os fins das organizações. É por isso que o ser humano precisa observar a economia com uma noção sistêmica, talvez em prol de uma “economia ecológica”, em que esse pensamento define princípios e valorações para entender, de maneira multidisciplinar, a gênese, o desenvolvimento e a magnitude dos impactos entre crescimento econômico, conservação do ambiente e bem-estar dos indivíduos. “Para a economia ecológica, o importante é que por trás de cada conflito há uma grande pluralidade de valores, razão pela qual adota o enfoque multicriterial ou multivalorativo, que considera, além dos impactos econômicos, os impactos físicos e sociais”.

Conclusões

Um “líder em sustentabilidade” é o representante de um coletivo que busca capacitar, ensinar e colocar em prática programas de ação, práticas ambientais ou guias de formação que beneficiem o Desenvolvimento Sustentável. Esse agente de mudança atua de forma paralela na melhoria ambiental, social e econômica dentro das organizações atuais, com vistas a um crescimento, em matéria sustentável, de longo prazo. São os líderes e as empresas os responsáveis pelo Desenvolvimento Sustentável. Assim, a liderança sustentável é responsável por um grupo de trabalho em prol do benefício social e ambiental, pois conta com o conhecimento, as habilidades e as competências que um agente de mudança demanda. Já que “alcançar a mudança nas organizações implica saltos importantes, como a ênfase na capacitação e no treinamento, alto nível de compromisso e orientação por agentes de mudança altamente qualificados; requer da administração identificar papéis e responsabilidades”.

Uma vez determinadas as variáveis a considerar em uma formação orientada à sustentabilidade dentro das organizações, é necessário categorizar os processos por meio dos quais esses elementos serão desenvolvidos. Um esquema de acoplamento deve integrar um diagnóstico (avaliação prévia), gestão (planejamento e organização) e implementação (direção, aplicação e feedback), a fim de conhecer as oportunidades de melhoria, os canais de comunicação necessários, os benefícios obtidos e os espaços temporais para sua aplicação. O desenvolvimento desses esquemas e processos se coloca como uma ferramenta de análise para a boa implementação dentro das organizações. É uma proposta que deve ser ajustada a cada tipo de empresa, utilizando o diagnóstico como instrumento de avaliação e estudo de viabilidade.

Sustentabilidade nas organizações

Essa transformação deve ser originada pelos colaboradores-chave, aqueles que são respeitados e ouvidos, que tomam decisões importantes e compartilham os valores da instituição. São eles que conduzem, propiciam e promovem a comunicação interna e o conhecimento.

Busca-se levar a cada agente de mudança o entendimento de uma cultura sustentável em toda a extensão do seu sentido. Demonstrar que as empresas socialmente responsáveis e amigáveis ao meio ambiente, de fato, geram maiores lucros, fidelizam seus clientes de forma emocional e atendem às necessidades ecológicas da comunidade. O resultado é um aumento na participação de mercado e uma relação estratégica direta e contínua com seus segmentos.

Os líderes em Sustentabilidade devem concentrar seus esforços no talento humano, em suas motivações e na inovação produtiva, em princípios morais e em decisões efetivas, porém equitativas, tanto com os agentes de interesse quanto com a natureza. Para desenvolver uma cultura sustentável, é necessário começar rompendo paradigmas e direcionar os objetivos para um bem comum. Entender que a sustentabilidade e a educação ambiental não são uma tendência, mas uma política constante e contínua. Por isso, é importante desenvolver líderes que estejam conscientes de seu impacto social, que aceitem e reconheçam o poder de suas decisões, não apenas em um espaço contíguo, mas também distante do seu presente.

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